Acteal - 12 anos de impunidade
San Cristóbel de Las Casas, dia 27 de novembro de 2009.

A todas as organizações comprometidas com o processo de paz em Chiapas, no México e no mundo.
Recebam este abraço do Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de Las Casas). O presente é pra agradecer seu apoio e disponibilidade que desde sempre nos mostraram.
Como vocês sabem neste ano, ocorreu uma série de acontecimento que nos mostraram um incremento de inseguridad y de tensão nas comunidades indígenas.
Dentro deste contexto, a comunidade de Acteal segue lutando contra a impunidade, e por trás da libertação de 29 para-militares envolvidos no Massacre que ocorreu no ano de 1997, com isto aumento a hostilização e o medo desta comunidade.
O próximo 22 de dezembro completa já 12 anos de impunidade no caso do Massacre de Acteal.
Nesta ocasião queremos convidar a todos para uma ação solidária para apoiar a comunidade de Acteal y fazer-lhes sentir que desde cada parde do mundo podemos unir-nos a esta luta pela dignidade e pela justiça.
A idéia que queremos propor é que cada organização solidária com a luta dos "Pueblos" indígenas de Chiapas, faça um evento no seu país para lembrar os mortos de Acteal e, também, para fazer um chamado pela justiça.
Pensamos que desde cada lugar, é possível realizar ações simultâneas tais como: acender velas em frente da embaixada mexicana, uma exposição de fotos, uma exposição de videos, marchas e etc.. Estas são apenas algumas ideias mas confiamos na sua imaginação e criatividade. Nós contamos com material fotográfico e o video "Acteal, 10 años de impunidad" que foi realizado pelo companheiro José Alfredo de Las Abejas, e com muito prazer podemos fazer chegar nos caso de que necessitem.
Pedimos que nos mandem fotos ou videos das ações realizadas porque no final queremos levar-las em nome de todos os participantes da comunidade e realiza um material que possa permanecer na lembraça a solidariedade nacional e internacional.
Cremos que estas ações possam contruibuir para animar o coração das pessoas de Acteal e fotalecer sua luta pela justiça e memória.
Esperamos contar com o apoio da maioria de vocês e que nos informe de sua participação.
Um abraço à todas e todos.
Atentamente,
Rosy Rodríguez, Barbara Dolman, Yasmina Boumaza
Coordenação das brigadas civis de Observação
Estratégia da guerra de baixa intensidade contra “La Sociedad Civil de las Abejas”
No dia 5 de novembro, aprendemos que a Suprema Corte de Justiça da Nação decidiu novamente libertar os para-militares que foram os responsáveis materiais do massacre de Acteal. Uma notícia que já esperávamos desde a libertação de 20 para-militares que ocorreu no dia 13 de agosto e que não surpreendeu ninguém, porque, estas libertações fazem parte da lógica da guerra de baixa intensidade do mau governo contra “La Sociedad Civil Las Abejas”.
Hoje, a lógica do governo e do município de Chenalhó parece muito clara, isto é, acabar com “las Abejas”, que denunciou todos os meses, num período de quase 12 anos foi denunciado de maneira pública as mais altas autoridades do estado, como os responsáveis (culpados) pelo massacre ocorrido em Acteal. O governo, além de ter dividido a organização, através do
cooptação de um dos lideres de “Las Abejas”, quem depois se reconstruiu em um novo grupo, “Las Abejas Chiapas México, organizado em uma Associação Civil. O governo também decidiu atacar frontalmente a “Las Abejas”, de Acteal, com a
libertação de quase a metade dos para-militares presos desde 1997 (ano do massacre), enquanto mais de 150 deles ficaram livres. Esta libertação é uma facada nas costas da organização, que já está debilitada desde o momento que houve a divisão do grupo (caso citado acima). A maioria das comunidades tem seguido aos conselhos de Agustin Vásques, este diz respeito à aceitar o apoio do governo, mas só um décimo das comunidades tem seguido a mesa diretiva de Acteal.
Faz umas semanas, descobrimos que a polícia tinha encontrado armas num povoado perto de Acteal, de nome Yabteclum. Oficialmente as armas deveriam servir a “Las Abejas”, organização pacifista desde a sua criação, em 1992, que jamais usou
armas para vingar-se dos para-militares libertados. Assim, os meios de comunicação veiculados com o governo, tem divulgado esta versão sem, ao menos, investigar. Mas, mesmo assim, denunciam a “las abejas” como grupo armado que
fomenta a pressão na região.
Deste modo, a mesa diretiva (de Acteal) sofreu acusações do presidente municipal de Chenalhó, e de seus “agentes” municipais, com o intuito de prender inocentes, ao mesmo tempo em que forjava falsos testemunhos, causando novos incômodos à população. Segundo esta lógica, no cenário de prisões contrárias a “La Sociedad Civil”, pode haver a detenção de Sebastián, presidente da Mesa Diretiva de Acteal, que pode ser concretizada nos próximos meses, com a finalidade de debilitar ainda mais a organização.
Por outro lado, o governo usa sua arma favorita, a pressão dos para-militares dentro das comunidades. Não faz nem uma semana que se escuta rumores da chegada de para-militares nas comunidades “abejas” de Acteal ou de novo em Yabteclum. A
população indígena vive com medo. A libertação dos para-militares, que em sua imensa maioria vive nos arredores de Acteal, vivem até mesmo em Acteal, estendeu o medo dos indígenas, ainda que exista a presença permanente de pelo menos três observadores civis de paz, enviados pelo centro de direitos humanos “La Frayba”.
Em março de 2009, o município de Pantelho junto com o de Polho, decidiram fazer uma guerra bacteriológica contra as comunidades arredor, como disse o jornalista de “La Jornada” Herman Bellinghausen. Todos os lixeiros dos municípios colocam seus lixos a cem metros de Acteal. Há um incômodo pelo cheiro, como as comunidades que residem abaixo de onde se
deposita o lixo bebem água contaminada e imprópria pro consumo humano, provocando, assim, doenças gástricas.
Enfim, a igreja entra também na luta contra a “Sociedad Civil de Las Abejas”. Desde que Felipe Arizmendi chegou para substituir o bispo Samuel Ruin, Teólogo da Libertação, “Las Abejas” perderam um apoio importante. De fato, há pouco tempo, Arizmendi celebrou uma missa para o casamento da filha de Emiliano Chuayffet, um dos mentores intelectuais do massacre, e também soubemos, por fontes ainda não confirmadas, que os catequistas denunciaram o fim do apoio financeiro a organização.
Com toda esta pressão sofrida por Acteal, toda divisão que houve e também as queixas contra a mesa diretiva, não sobra muito das “Abejas” de Acteal, mas fortaleceria as “Abejas Chiapas México”, que aceitaram dialogar com o governo,
exigindo apoio como compra de casa, construção de estradas e etc. Assim, só sobraria uma organização de “las abejas”, a mesma que esta, mais ou menos, envolvido com o governo. Isso seria uma verdadeiro triunfo para o governo.
Neste caso, não sobra muita esperança, mas para o primeiro dia de janeiro, vão mudar os representantes das mesas diretivas das duas entidades “Abejas”. Segundo nossas informações, os futuros presidentes estarão mais na rota de reconciliação. Os dois estão conscientes dos planos do governo, mas ainda fica a difícil etapa de
recusar o apoio do governo, que na verdade existe.
Autor: El Fifi Tradução: Paulo Gustavo
Asociacion Espoir Chiapas / Esperanza Chiapas: www.espoirchiapas.com

Matança de Acteal completa 12 anos de impunidade
Matança de Acteal completa 12 anos de impunidade
O dia 22 de dezembro marca, para os indígenas tzotziles e também para todos aqueles que lutam por um mundo mais justo, o décimo segundo aniversário de um dos capítulos mais tristes da história mexicana: o massacre, em Acteal, de 45 indígenas dessa etnia. A matança de Acteal, como o episódio é conhecido, ainda hoje é marcada pelos desrespeitos aos direitos humanos, pois os militares acusados pelos crimes ainda estão impunes.
Cerca de 90 paramilitares, supostamente do grupo Máscara Vermelha, invadiram a zona zapatista de Los Altos de Chiapas (sureste de México) e atacaram os índigenas, que integravam a organização Las Abejas, enquanto esses rezavam em uma capela. O resultado do ataque, que durou cerca de sete horas, deixou 16 crianças e adolescentes, 20 mulheres – das quais sete grávidas -, e nove homens mortos.
As organizações sociais, como Sociedade Civil Las Abejas e Cetro de Derechos Humanos Miguel Agustín pro Juarez, disseram, em nota, que “toda tentativa de esquecer ou atenuar o caso fomenta a impunidade dos responsáveis materiais e intelectuais, já que pretende eximir o Estado de toda responsabilidade direta nesse crime”.
Essas organizações criticam o fato de que o Estado não reconhece que a chacina integrou um plano estratégico contra-insurgente para acabar com o movimento zapatista e que nega a justiça às vítimas da Matança de Acteal e seus familiares. Nesse sentido, o Estado “demonstra sua falta de compromisso com o respeito pleno aos direitos humanos”.
“O massacre não foi um acontecimento isolado. Numerosos fatos anteriores conduziram a este terrível sucesso. Entre eles cabe citar o desalojamento de milhares de pessoas, assim como os assassinatos perpetrados durante 1996 e 1997 no território de Chenalhó, Chiapas.
O descaso do Estado, que não investiga, nem esclarece o massacre indígena, com a justiça na matança deixa espaço para que o acontecido contra os indígenas tzotziles se repita, seja sob o pretexto do combate governamental ao narcotráfico ou à guerrilha. Durante o governo de Ernesto Zedillo, presidente em 1997, não se investigou com seriedade a matança de Acteal, nem nos governos seguintes.
Segundo as organizações sociais, no México, continua-se a prática de agredir a sociedade civil que se mobiliza por legítimas demandas frente a situações que requerem atenção por parte das autoridades. Como nos casos de Guadalajara, San Salvador Atenco e Oaxaca. Além disso, em território chiapaneco, grupos paramilitares, tropas regulares e policiais ameaçam constantemente a população local, inclusive sendo expulsos de suas casas.
Fonte-base:http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=31144